PONYO: UMA AMIZADE QUE VEIO DO MAR
Ponyo: uma amizade que veio do mar (Ponyo on the Cliff by the Sea) chega aos cinemas brasileiros em 02 de julho. Na história, Sosuke, um menino de cinco anos de idade, mora em um penhasco com vista para o Mar Interior. Em uma manhã, enquanto brincava lá embaixo na praia, ele descobre uma fêmea de peixinho dourado chamada Ponyo com a cabeça presa em um pote de geléia. Sosuke resgata a peixinha e a mantém em um balde de plástico verde. Ponyo fica fascinada por Sosuke, que também sente o mesmo. O menino diz para ela: “Não se preocupe, vou cuidar de você e te proteger”.
Mas Fujimoto, o pai de Ponyo, que um dia foi humano e hoje é um feiticeiro que vive no fundo do mar, força o retorno da filha para as profundezas do oceano ao seu lado. “Eu quero ser humana!” afirma Ponyo ao fugir, determinada a se transformar em uma menina e voltar a ficar com Sosuke. Mas, antes de escapar, ela esvazia no oceano a Água da Vida, a loja de poções mágicas de Fujimoto. A água do mar sobe. As irmãs de Ponyo viram enormes ondas em formato de peixe que atingem a altura da casa de Sosuke no penhasco. O caos do oceano toma conta da cidadezinha de Sosuke, que afunda sob as águas.

Uma menina e um menino. Amor e responsabilidade. O mar e a própria vida. Em uma era de ansiedade e incerteza, Ponyo –– Uma Amizade que Veio do Mar é a história de uma mãe e seu filho pelo olhar franco de Hayao Miyazaki.
Após uma longa espera, em seus 121 minutos esta nova animação de
Hayao Miyazaki parece não convencer. Um dos motivos é a própria animação. Apesar de recente, Ponyo deixar a desejar no quesito técnico, tendo qualidade igual - por vezes, inferior - a das animações anteriores
A Viagem de Chihiro e O
Castelo Animado.
Outro ponto importante a frisar é: Ponyo é única e exclusivamente uma animação infantil. O fã de animes que se acostumou aos títulos grandiosos do estúdio Ghibi certamente ficará decepcionado. Mas, mesmo sendo um desenho animado para crianças, alguma coisa não funciona neste anime. Talvez o motivo seja porque Miyazaki fez uma obra somente para o público japonês.
Em algumas de suas últimas declarações, Miyazaki mostrou certa antipatia ao universo "otaku" e ao fato da indústria do mangá/anime ser usada para promover o Japão no exterior. Além disso, o autor/diretor não mostra muito interesse quando ganha um prêmio fora do Japão. A impressão que Miyazaki passa com Ponyo, é o de "ignorar" o ocidente e deixar claro que seus filmes são somente para os japoneses verem e entenderem.

Outro ponto negativo é a música. Não a trilha sonora como um todo. Mas, um das músicas é "inspirada" - para não mencionar outro termo - completamente em
Die Walküre (A Valquíria), do compositor alemão
Wilhelm Richard Wagner. Algo a lamentar, pois o fato nos faz pensar quantas "inspirações" do gênero não há neste filme.
Ponyo: uma amizade que veio do mar (Ponyo on the Cliff by the Sea) está muito longe de ser uma obra-prima, quiçá de ser um bom filme. E talvez, seja a representação do cansado de um gênio, como muitos outros, que talvez já não tenha mais nada a dizer.